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Foco de calor não é área queimada

Os dois indicadores costumam aparecer trocados na conversa pública. Medem coisas diferentes, com instrumentos diferentes, e respondem a perguntas diferentes.

NC Atlas Inc4 min de leitura

Foco de calor não é área queimada

Um foco de calor é uma detecção: um sensor a bordo de um satélite registrou, num pixel, uma temperatura compatível com fogo. É um evento pontual, com hora e coordenada. Área queimada é outra coisa: é a superfície que o fogo efetivamente percorreu, estimada depois, comparando imagens antes e depois da passagem.

A diferença tem consequências práticas. Um incêndio grande e contínuo pode gerar poucos focos se as passagens do satélite não coincidirem com os momentos de maior atividade. Muitos focos, por outro lado, podem corresponder a queimadas pequenas e dispersas. A contagem de focos é excelente para acompanhar tendência e sazonalidade; ela é ruim para dimensionar a extensão do dano.

Há ainda um efeito que confunde séries longas: o número de detecções depende de quantos satélites estão em órbita, de suas órbitas e da sensibilidade dos sensores. Uma série histórica de focos precisa ser lida com o satélite de referência declarado, ou o que parece aumento de fogo pode ser aumento de capacidade de observação.

No NC Atlas Inc o indicador se chama "focos de calor" e não "queimadas", e a página do indicador explica o que ele mede e o que não mede. É uma escolha de vocabulário que custa uma palavra a mais e evita uma leitura errada.

Os indicadores citados neste texto podem ser explorados por região no Explorer. A procedência de cada valor está descrita em Sobre os dados.

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