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Por que um percentual de vegetação não se soma entre estados

Somar os percentuais de cobertura de 27 unidades da federação e dividir por 27 produz um número que não descreve o Brasil. A razão é geométrica, não estatística.

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Por que um percentual de vegetação não se soma entre estados

Quando um indicador é percentual, ele já é uma razão: área coberta dividida pela área total daquele território. Isso significa que o número de Sergipe e o número do Amazonas descrevem denominadores que diferem por mais de duas ordens de grandeza. Tratá-los como observações equivalentes numa média simples é atribuir a cada estado o mesmo peso na composição do país, o que a geografia não autoriza.

A agregação correta é uma média ponderada pela área territorial. Cada unidade entra na conta com o tamanho que efetivamente ocupa, e o resultado responde à pergunta que realmente interessa: que fração do território brasileiro está coberta. É por isso que o valor nacional exibido no NC Atlas Inc nunca é uma medição: ele é calculado a partir das 27 unidades, e carrega o rótulo "calculado" ao lado, justamente para que ninguém o confunda com um dado publicado por uma organização.

O mesmo cuidado não se aplica a todos os indicadores. Focos de calor, superfície de água e capacidade instalada são contagens e grandezas absolutas: elas somam. A regra de agregação, portanto, não é uma propriedade do sistema: é uma propriedade de cada indicador, e fica declarada junto dele no banco de dados.

Essa distinção parece pedante até o momento em que alguém compara dois estados numa apresentação. Uma média mal composta produz um número que parece autoritativo, circula, e passa a ser citado. O trabalho de uma plataforma de dados é tornar a operação visível antes disso acontecer.

Os indicadores citados neste texto podem ser explorados por região no Explorer. A procedência de cada valor está descrita em Sobre os dados.

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